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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Aliança das Trevas, de Ane Bishop

Há setecentos anos, num mundo governado por mulheres e onde os homens são meros súbditos, uma Viúva Negra profetizou a chegada de uma Rainha na sua teia de sonhos e visões.
A ex-rainha Bhak é agora apenas Cassidy, uma habitante de Dharo que perdeu o seu privilégio após a sua corte ter preferido servir a deslumbrante e bem relacionada Kermilla. Numa terra dizimada pelo seu passado - em tempos governada por rainhas corruptas que foram banidas após uma vaga de destruição e violência - o Principe Senhor da Guerra Theran Grayhaven, procura uma parceira para o ajudar a restaurar a sua terra e a sua linhagem. O seu povo vive sem líder e sem esperança e precisa de uma rainha que se recorde do código de honra e dos costumes antigos. Com a ajuda de Saetan - Senhor do Inferno - Theran descobre Cassidy, que parece ser a mulher ideal. Tudo parece bem até que o casal se depara com as suas incompatibilidades e Cassidy conhece um misterioso servente que apela ao seu coração. Será Cassidy forte o suficiente para convencer um povo amargurado a servir novamente uma rainha?


Tenho de admitir que ADOREI este livro. Não só por me fazer retornar ao mundo das Jóias Negras, mas por ser uma história bastante diferente daquelas que geralmente nos são apresentadas neste mundo. Isto porque este volume não dá tão grande destaque às joias mais escuras e mostra a luta diária de uma rainha de joia clara para se afirmar num territorio que necessita desesperadamente de uma rainha que compreenda não só o povo como a própria terra.
É numa terra que quem já leu Anel Oculto reconhece que se passa esta história. Cassidy, uma Rainha de Jóia Rosa, cuja corte se desfez, aceita o convite feito por Jaenelle, para voltar a formar corte e auxiliar um povo que precisa de uma Rainha. Só que este território não é no Reino das Sombras, Dena Nehele situa-se em Terreile, que se encontra devastado devido à guerra que teve lugar pouco tempo antes. Tudo isto começa com um pedido por parte de Theran Greyhaven, último descendente da Rainha Cinzenta Lia e do Senhor da Guerra de joia vermelha Jared. Todo o  enredo central gira em torno dos problemas que Cassie tem de enfrentar enquanto rainha menos poderosa num território desconhecido. Cassie tem provar a si mesma e aos outros que é capaz de curar a terra e os corações de Dena Nehele.

Cassie surgiu como uma lufada de ar fresco neste mundo, uma reviravolta muito interessante num mundo que dava grande destaque à força Obscura das jóias mais escuras. Possuindo uma joia rosa e não sendo uma rapariga com um beleza fora do comum, não é de imediato aceite na povoação que irá governar por um ano. No entanto é aos poucos e poucos que conquista a confiança das pessoas, ao demonstrar a sua verdadeira força e generosidade. A grande mudança pela qual ela é responsável, e que foi para mim um dos momentos mais queridos, diz respeito a Gray, primo de Theran. Este Príncipe, que sofreu imenso às mãos das rainhas de Terreile e, por isso, permaneceu um rapaz no corpo de um homem, recupera bocadinho a bocadinho a sua verdadeira essência como homem e como príncipe dos senhores da guerra, despertando para a vida e poder que sempre deveria ter possuído.

Claro que nos mundos de Bishop raramente nos podemos ficar pelas personagens principais, tendo de dar o devido destaque a outros conhecidos. Começando na maravilhosa família SaDiablo, com todos os seus membros e passando pelos Sceltitas, há toda uma série de momentos que nos fazem ir às gargalhadas e que nos fazem querer torcer o pescoço a alguém. Desde o voluvel temperamento de Lucivar ao tratar com uma rainha, a raiva gelada do Sádico, o instinto protector de Gray inerentre aos principes dos senhores da guerra, à maneira como Vae - a feiticeira sceltita - lida com os humanos, que encontramos neste mundo uma magia e originalidade que raramente encontro.


Tenho a dizer que recomendo vivamente a leitura e que espero anciosamente pelo dia em que possa ler a continuação deste volume - A Senhora de Shalador.

Se ainda não conhecem a autora e desejam ler os volumes relacionados com este mundo Sugiro a seguinte ordem de leitura:
A Filha do Sangue
A Herdeira das Sombras
A Rainha das Trevas
Anel oculto
Teias de Sonhos
Joia Perdida
Aliança das Trevas

Bjinhos e boas leituras
Mafs



segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Anel Oculto de Anne Bishop

   Depois de nos maravilhar com a Trilogia das Jóias Negras, a autora regressa ao mundo que a fez vencer o prémio Crawford Memorial Fantasy Award. Desta vez para nos contar a história de Jared, um Senhor da Guerra de jóia vermelha. Jared transgrediu todas as regras ao assassinar a sua rainha. Mas no reino dos Sangue, são poucos os
homens que podem sobreviver sem estar sob a vigilância de uma rainha. Conseguirá Jared enfrentar os seus próprios demónios e descobrir o significado de estar verdadeiramente ligado a uma Rainha?
Anel Oculto é um livro isolado, mas tem laços com os acontecimentos da trilogia — especialmente pela presença do inesquecível Daemon Sadi. O mundo de Bishop continua a ser gótico, sensualmente perigoso
e por vezes violento. Um prazer de leitura para os fãs, e uma excelente descoberta para os novos leitores que são apresentados a uma sociedade complexa, exigente, e carregada de personagens tão reais que arrepiam.



     Através de Anel Oculto regressamos ao mundo original de Anne Bishop. No entanto este romance remete-nos para um tempo anterior ao que nos é apresentado na trilogia das Jóias Negras. Mas, para deleite dos amantes da escrita de Anne Bishop, vemos regressar algumas das personagens memoráveis da trilogia primordial: Daemon Sadi e Dorothea.
     O que mais me encantou neste romance foi o facto de funcionar como uma espécie de anexo à trilogia, uma vez que a história que nos é contada é aquela que levou à elaboração do plano de Jaenelle para salvar os Sangue. Esta é a história de uma rainha cinzenta que conseguiu eliminar alguns adversários e, assim, manter o seu território a salvo das mãos de Dorothea, é o "relato" dos acontecimentos que levaram uma grande rainha de jóia cinzenta a confiar a sua vida e a vida de outros a um escravo de prazer. É sobre um homem que conquistou a sua liberdade e aprendeu o verdadeiro significado do serviço e lealdade a uma rainha, e que descobriu o peso e poder dos anéis ocultos (o dourado e o prateado).
     Neste ivro percebemos melhor (pelo menos eu percebi) o derradeiro plano composto por Jaenelle e Daemon para acabar com a corrupção dos Sangue. Entramos em algo que, de algum modo, levou ao desfecho da obra mais conhecida desta autora. Mas não é apenas o relembrar a trilogia que faz desta história algo fascinante. As suas personagens, tão ricas e, mais uma vez, humanas, são um ponto essencial para a magia deste romance. Temos Jared, o escravo sexual, que já atingiu o ponto de ruptura, alguém que perdeu a confiança nos antigos costumes e que se vê confrontado com alguém - Lia - que refuta tudo aquilo em que ele tem acreditado desde que se viu "sozinho" no mundo. Jared é levado a repensar o que julga saber e a retomar os ensinamentos que o pai lhe transmitiu. Vemos Lia amadurecer e passar de uma feiticeira de jóia verde com vontade de proteger tudo e todos, para uma verdadeira rainha de jóia cinzenta capaz de enfrentar a pior das situações. Temos depois Thera e Blayde, duas pessoas que sempre tiveram de se esconder, que nunca puderam ser eles próprios e que, finalmente, podem assumir quem são. Vemos ainda a alegria de viver de Thomas, um meio-Sangue rejeitado tanto pelos Sangue como pelos plebeus, mas que mostra uma enorme vontade de agradar, de servir e de se sentir útil.
     São todas estas personagens que fazem deste romance algo que dá gosto ler. É o regressar a um mundo já nosso conhecido e rever as personagens que nos marcaram e deixaram saudades. É vermos, uma vez mais, a esperança e o desejo ardente que habita em Daemon mas também a sua faceta oculta, calculista e arrepiante, o Sádico.
     Não há muito mais que possa dizer, ou melhor, há, mas aconselho vivamente a quem ainda não o leu que se tiver a oportunidade pegue no livro e entre num mundo onde a magia existe, não só através da Arte, mas que também passa através dos sentimentos e momentos partilhados pelas personagens.
  
     Despeço-me com votos de boas leituras
     Bjs
     Maff G.

domingo, 25 de setembro de 2011

Trilogia das Jóias Negras de Anne Bishop

 Há setecentos anos atrás, num mundo governado por mulheres e onde os homens são meros súbditos, uma Viúva Negra profetizou a chegada de uma Rainha na sua teia de sonhos e visões. Agora o Reino das Sombras prepara-se para a chegada dessa mulher, dessa Feiticeira que terá mais poder do que o próprio Senhor do Inferno. Mas a Rainha ainda é nova, passível de ser influenciada e corrompida.E quem controlar a Rainha controlará o mundo. Três homens poderosos — inimígos de sangue — sabem isso. Saetan, Lucivar e Daemon apercebem-se do poder que se esconde por trás dos olhos azuis daquela menina inocente. E assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, onde as armas são o ódio e o amor. E o preço pode ser terrível e inimaginável.

    O que dizer do inesquecível mundo que Anne Bishop nos apresentou?
    O meu interesse nas obras desta escritora começou, como sempre, quando andava a deambular numa livraria à procura de algo que me prendesse a atenção. Então surgiu um título, já de si sugestivo, Filha do Sangue, que veio seguido por uma capa cativante e uma sinopse electrizante. Foi então que decidi adicionar Anne Bishop à minha lista de desejos literários.
Não podia prever que, assim que começasse a ler aquele que seria o primeiro de muitos, ficasse totalmente encantada com o mundo e, principalmente, com as personagens que figuravam neste primeiro romance.
    O mundo que a autora criou destaca-se, não só pelo tipo de sociedade, mas também pela hierarquia que nele está presente. É-nos apresentada, através de uma escrita fluida e de fácil compreensão, uma sociedade matriarcal, onde a mulher é lei, mas simultaneamente uma sociedade dividida entre os bons e os maus costumes (por assim dizer). Existem aqueles, os poucos, que ainda prezam os valores antigos como a lealdade, a devoção e a entrega; por oposição existem aqueles que se deixaram corromper pelo poder, pela ambição e ganância desmedidas. De cativante nesta história há também a hierarquia de poder evidenciada através das jóias que cada personagem usa. Começando na jóia Branca, passando pela Amarela, Olho-de-Tigre, Rosa, Azul Celeste, Violácea, Opala, Verde, Azul-Safira, Vermelha, Cinzenta, Ébano-Acinzentada, chegamos à jóia Negra, o derradeiro poder na hierarquia das jóias. Mas aqui, contrariamente à crença popular, o negro, as trevas, palavras que associamos ao mal, ganham uma conotação positiva, de algo de bom.
    É no meio desta sociedade que conhecemos as personagens. Tomamos conhecimento do "triângulo" central deste maravilhoso enredo. Conhecemos Saetan SaDiablo, o mais poderoso ser do seu tempo, alguém com uma sabedoria e paciência imensas; estabelecemos contacto com os irmãos SaDiablo: o impetuoso e impulsivo Lucivar Yaslana e o poderoso e, de certo modo, calculista, Daemon Sadi - também conhecido como o Sádico - (há que admitir que os nomes são bastante sugestivos).
Finalmente é-nos apresentada a protagonista desta trilogia: Jaenelle Angeline. Conhecemo-la ainda criança, não ingénua, mas ainda um pouco inocente e apaixonamo-nos por esta criatura que vemos crescer com o passar dos livros. Ela é o centro do "triângulo", os sonhos tornados realidade, ela é precisamente o que a sociedade necessita para prosperar e mais não digo.
    Contudo, não são só as personagens principais que fazem desta autora uma das melhores da actualidade. As personagens secundárias, aquelas que ajudam os protagonistas e o desenrolar dos acontecimentos, personagens como Surreal, Karla, Kaelas, Colmilho Cinzento e todos os parentes, Andulvar e tantos outros que deixaram a sua marca são tão fulcrais como os protagonistas.
    O último tópico, por assim dizer, de que quero falar é da humanidade presente nas personagens. Temos, nesta história, personagens que se mostram tão fortes, tão seguros de si e que depois, perante determinadas situações vemos que afinal também têm pontos fracos, o que apenas as torna melhores, mais humanas. É exemplo disto o Daemon, uma pessoa que conhecemos capaz dos mais atrozes actos quando é tratado com a mesma gentileza e respeito que um animal de rua, que se mostra forte e arrogante em todo o seu esplendor e que, no entanto, mantém a esperança de servir alguém digno de toda a sua confiança, e se mostra fragilizado e enlouquecido quando confrontado com a suposta morte dos "Sonhos Tornados Realidade".
Temos personagens que sentem medo, esperança, desejos, frustrações, ciúmes e que amam incondicional e irrevogavelmente com todo o coração. Vemos laços familiares serem criados de forma simples mas inquebrável.
    É tudo isto e muito mais, são os momento emotivos e divertidos, os momentos de suspense e até mesmo as vilãs, Hekatah e Dorothea, que fazem com que o Mundo das Jóias Negras seja, sem sombra de dúvida, um dos melhores.

Bjs
Maff G.