Verdade seja dita: por norma não ligo muito ao futebol. Não tenho clube, embora simpatize com o Braga, mas fora isso não paro a minha vida para ver este tipo de eventos. Mas há uma excepção, como não podia deixar de ser. Quando a selecção portuguesa está a jogar páro tudo e colo-me à televisão. É como se a minha personalidade mudasse durante o tempo da partida. Fico histérica, nervosa e muito "broueira carago!". Hoje foi um desses dias. Apesar da selecção ter perdido este excelente jogo contra a Espanha, tenho de dar os parabéns a todos os jogadores que foram excepcionais. Jogaram incrivelmente bem, especialmente porque poucos acreditavam nas suas capacidades, e jogaram como uma equipa, ponto que eu considero essencial neste percurso que a selecção percorreu. Quem julga que a selecção é, única e exclusivamente, o Cristiano Ronaldo, não podia estar mais equivocada. O Cristiano é um jogador numa equipa de 23, que sozinho não vai a lado nenhum. Dou mais uma vez os meus parabéns à selecção que representou verdadeiramente o nosso país. A todos aqueles que sei que CAMELOS!!! A equipa jogou muito bem e pura e simplesmente teve falta de sorte. Mas para a próxima vez que decidirem julgar alguém que se esforçou pelo nosso país, que deu o seu melhor embora o destino nada quisesse com ele, ponham-se nos seus sapatos e façam melhor (se sonharem sequer com isso). Esta é uma selecção que merece ser recebida com o maior dos respeitos e com uma grande salva de palmas porque sim, apesar de terem sofrido esta derrota, foram os nosso heróis.
Bjinhos
Mafs
Quando o Vento Sopra... é um blog sobre tudo o que vier à cabeça. Para quê restringir a nossa criatividade ou expressão a um só tema?
quarta-feira, 27 de junho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
Pensamento/Frase da Semana (12)
Ora bem estamos de volta com o Pensamento da semana. O blog tem estado um bocado parado ultimamente devido à minha falta de disponibilidade. Mas com a universidade na recta final prometo ser mais assídua, por isso aqui vai este pensamento.
"Girl, if you don't go after what you want, you'll never have it. If you don't ask, the answer's always no. If you don't step forward, you're always in the same place." Nora Roberts (Tears of the Moon)Não tenho mais nada a acrescentar :D
Bjinhos
Mafs
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Desejos literários (3)

Ultimamente estou com muita vontade de regressar à escrita de Nora Roberts como J.D.Robb. Há já algum tempo que não leio nada da tenente Eve Dallas da polícia de Nova Iorque e devo admitir que já sinto saudades das personagens que se tornaram minhas conhecidas. E depois há o Roarke, quem é que, no meu lugar, não sentiria saudades do Roarke? (as pessoas que já leram J D Robb sabem do que eu estou a falar :D ).
Mas não é só esta autora que desejo ler. Anne Bishop também faz parte da minha wishlist, não só com o segundo livro da trilogia dos Pilares do Mundo com também com o seu mundo de Efémera. E a minha lista não se fica por aqui, muitos mais autores e obras figuram na lista de desejos literários, mas infelizmente, e este ano ainda mais, o tempo de que disponho não me permite ler tão depressa quanto a velocidade a que cresce essa lista.Este Verão vai ser para repor a leitura em dia, basicamente não vou fazer muito mais. Onde eu andar um livro virá comigo dentro da bolsa :) - os viciados em leitura de certeza que percebem o que quero dizer.
Sem mais demoras despeço-me
Bjinhos
Mafs
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Desenhos (4)
Hoje decidi mostrar-vos uma peça que desenhei para oferecer a um amigo meu pelo natal. E tenho que confessar que nunca pensei apaixonar-me por este desenho :)
Enfim, sei que ele está nas mãos de quem vai tratar muito bem dele :) Claro que não o podia ter deixado ir se não ficasse pelo menos com uma recordação. Tirei.lhe uma fotografia e é isso que vos mostro hoje. Um desenho que representa uma parte importante da minha vida e sem a qual já não me consigo imaginar. Deixaria de ser eu sem essa minha parte e sei que este meu amigo, a quem ofereci o desenho, percebe muito bem o que quero dizer.
Espero que gostem
Bjinhos
Mafs
Enfim, sei que ele está nas mãos de quem vai tratar muito bem dele :) Claro que não o podia ter deixado ir se não ficasse pelo menos com uma recordação. Tirei.lhe uma fotografia e é isso que vos mostro hoje. Um desenho que representa uma parte importante da minha vida e sem a qual já não me consigo imaginar. Deixaria de ser eu sem essa minha parte e sei que este meu amigo, a quem ofereci o desenho, percebe muito bem o que quero dizer.
Espero que gostem
Bjinhos
Mafs
domingo, 3 de junho de 2012
Sinto saudades. Saudades do breve momento que partilhámos. Sentado no muro do jardim, rodeados pelos nossos amigos, abraçaste-me. Colocaste o teu braço sobre os meus ombros e encostaste-me a ti. Nunca pensei que encaixássemos tão bem. Naquele momento senti-me aquecer e derreter por ti. Foi nesse momento que me apercebi de que afinal não tinha acabado, não para mim e não ainda. Senti-me no céu, quente e confortável, importante. Abraçaste-me de forma tão espontânea e em frente a tanta gente que me fizeste sentir nas nuvens, e quando me beijaste o topo da cabeça cheguei ao paraíso. Mas não sei o que isso significou. Nunca sei dizer o que significa para ti o que vivemos, cada momento, por mais pequeno que ele possa parecer aos nossos olhos. E é isso que deixa o meu coração em suspensão. há espera do momento em que me digas qual o passo que queres dar a seguir, qual a direcção que vais tomar. Terei eu de viver para sempre em espera?
terça-feira, 29 de maio de 2012
Confusão...
Confusão. É este o nevoeiro que me tolda o espírito nestas horas tardias da noite. Não consigo compreender. Por mais que a minha cabeça volte a este ponto da minha vida, continua difícil de entender, de perceber o que se passa na minha alma e, principalmente, o que se passa na dele. Num momento sou ignorada para no instante seguinte estar quente e aconchegada nos seus braços. Braços esses que me fazem sentir em porto seguro, longe da tempestade que se abate quando estou afastada dele. As dúvidas preenchem o meu pensamento, fazem-me revirar nos sonhos e dispersam a minha atenção. Magoei o orgulho dele ao hesitar no instante em que algo mais poderia ter acontecido? Estou agora a ter mais uma oportunidade? Ou está ele a dar-me a provar na mesma moeda? Como é que eu, uma alma insegura até ao âmago do meu ser, posso acreditar que alguém como ele poderia olhar para mim desse modo? Porque somos tão diferentes, tão opostos em tantos aspectos. Ele é frontal e directo, é bom a discutir e tem uma cabeça dura como ninguém que eu tenha conhecido. Eu não. Se puder fugir a uma discussão, evito-a; não sou uma criatura social contrariamente a ele. Gosto de ficar em casa e ele gosta de sair. Nunca me embebedei, ele não passa uma semana sem o fazer. Dou por mim a pensar nestas coisas, a fazer comparações com coisas que não podem ser comparadas.
Há quem diga que os opostos se atraem e completam. Não sei se acredito nisso. Se a situação fosse um filme eu estaria em euforia porque saberia qual o fim daquela história. Saberia que acabariam juntos por serem tão diferentes, por serem o yin e o yang. Mas a realidade às vezes tem a sua própria maneira de desfazer os nossos sonhos, as nossas esperanças.
O texto acima é da minha autoria :) pertencea uma das minhas muitas histórias começadas e fadadas a nunca estarem realmente escritas...enfim...espero que gostem... (estava a sentir-me melancólica quando o escrevi)
Bjinhos
Mafs
Há quem diga que os opostos se atraem e completam. Não sei se acredito nisso. Se a situação fosse um filme eu estaria em euforia porque saberia qual o fim daquela história. Saberia que acabariam juntos por serem tão diferentes, por serem o yin e o yang. Mas a realidade às vezes tem a sua própria maneira de desfazer os nossos sonhos, as nossas esperanças.
O texto acima é da minha autoria :) pertencea uma das minhas muitas histórias começadas e fadadas a nunca estarem realmente escritas...enfim...espero que gostem... (estava a sentir-me melancólica quando o escrevi)
Bjinhos
Mafs
Mulher Portuguesa
A Mulher Portuguesa Tem um Bocado de Pena dos HomensA mulher portuguesa não é só Fada do Lar, como Bruxa do Ar, Senhora do Mar e Menina Absolutamente Impossível de Domar. É melhor que o Homem Português, não por ser mulher, mas por ser mais portuguesa. Trabalha mais, sabe mais, quer mais e pode mais. Faz tudo mais à excepção de poucas actividades de discutível contribuição nacional (beber e comer de mais, ir ao futebol, etc). Portugal (i.e., os homens portugueses) pagam-lhe este serviço, pagando-lhes menos, ou até nada.
O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível.
A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher.
Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis.
Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena.
A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão.
O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.
E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe».
Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem.
O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação.
A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo?
Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão.
Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas '
O pior defeito do Homem português é achar-se melhor e mais capaz que a Mulher. A maior qualidade da Mulher Portuguesa é não ligar nada a essas crassas generalizações, sabendo perfeitamente que não é verdade. Eis a primeira grande diferença: o Português liga muito à dicotomia Homem/Mulher; a Portuguesa não. O Português diz «O Homem isto, enquanto a Mulher aquilo». A Portuguesa diz «Depende». A única distinção que faz a Mulher Portuguesa é dizer, regra geral, que gosta mais dos homens do que das mulheres. E, como gostos não se discutem, é essa a única generalização indiscutível.
A Mulher Portuguesa é o oposto do que o Homem Português pensa. Também nesta frase se confirma a ideia de que o Homem pensa e a Mulher é, o Homem acha e a Mulher julga, o Homem racionaliza e a Mulher raciocina. E mais: mesmo esta distinção básica é feita porque este artigo não foi escrito por uma Mulher.
Porque é que aquilo que o Homem pensa que a Mulher é, é o oposto daquilo que a Mulher é, se cada Homem conhece de perto pelo menos uma Mulher? Porque o Português, para mal dele, julga sempre que a Mulher «dele» é diferente de todas as outras mulheres (um pouco como também acha, e faz gala disso, que ele é igual a todos os homens). A Mulher dele é selvagem mas as outras são mansas. A Mulher dele é fogo, ciúme, argúcia, domínio, cuidado. As outras são todas mais tépidas, parvas, galinhas, boazinhas, compreensíveis.
Ora a Mulher Portuguesa é tudo menos «compreensiva». Ou por outra: compreende, compreende perfeitamente, mas não aceita. Se perdoa é porque começa a menosprezar, a perder as ilusões, e a paciência. Para ela, a reacção mais violenta não é a raiva nem o ódio – é a indiferença. Se não se vinga não é por ser «boazinha» – é porque acha que não vale a pena.
A Mulher Portuguesa, sobretudo, atura o Homem. E o Homem, casca grossa, não compreende o vexame enorme que é ser aturado, juntamente com as crianças, o clima e os animais domésticos. Aturar alguém é o mesmo que dizer «coitadinho, ele não passa disto…» No fundo não é mais do que um acto de compaixão. A Mulher Portuguesa tem um bocado de pena dos Homens. E nisto, convenhamos, tem um bocado de razão.
O que safa o Homem, para além da pena, é a Mulher achar-lhe uma certa graça. A Mulher não pensa que este achar-graça é uma expressão superior da sua sensibilidade – pelo contrário, diverte-se com a ideia de ser oriundo de uma baixeza instintiva e pré-civilizacional, mas engraçada. Considera que aquilo que a leva a gostar de um Homem é uma fraqueza, um fenómeno puramente neuro-vegetativo ou para-simpático – enfim, pulsões alegres ou tristemente irresistíveis, sem qualquer valor.
E chegamos a outra característica importante. É que a Mulher Portuguesa, se pudesse cingir-se ao domínio da sua inteligência e mais pura vontade, nunca se meteria com Homem nenhum. Para quê? Se já sabe o que o Homem é? Aliás, não fossem certas questões desprezíveis da Natureza, passa muito bem sem os homens. No fundo encara-os como um fumador inveterado encara os cigarros: «Eu não devia, mas.. » E, como assim é, e não há nada a fazer, fuma-os alegremente com a atitude sã e filosófica do «Que se lixe».
Homens, em contrapartida, não podiam ser mais dependentes. Esta dependência, este ar desastrado e carente que nos está na cara, também vai fomentando alguma compaixão da parte das mulheres. A Mulher Portuguesa também atura o Homem porque acha que «ele sozinho, coitado; não se governava». O ditado «Quem manda na casa é ela, quem manda nela sou eu» é uma expressão da vacuidade do machismo português. A Mulher governa realmente o que é preciso governar, enquanto o homem, por abstracção ou inutilidade, se contenta com a aparência idiota de «mandar» nela. Mas ninguém manda nela. Quando muito, ela deixa que ele retenha a impressão de mandar. Porque ele, coitado, liga muito a essas coisas. Porque ele vive atormentado pelo terror que seria os amigos verificarem que ele, na realidade, não só na rua como em casa não «manda» absolutamente nada. «Mandar» é como «enviar» – é preciso ter algo para mandar e algo ao qual mandar. Esses algos são as mulheres que fazem.
O Homem é apenas alguém armado em carteiro. É o carteiro que está convencido que escreveu as cartas todas que diariamente entrega. A Mulher é a remetente e a destinatária que lhe alimenta essa ilusão, porque também não lhe faz diferença absolutamente nenhuma. Abre a porta de casa e diz «Muito obrigada». É quase uma questão de educação.
A imagem da «Mulher Portuguesa» que os homens portugueses fabricaram é apenas uma imagem da mulher com a qual eles realmente seriam capazes de se sentirem superiores. Uma galinha. Que dizer de um homem que é domador de galinhas, porque os outros animais lhe metem medo?
Na realidade, A Mulher Portuguesa é uma leoa que, por força das circunstâncias, sabe imitar a voz das galinhas, porque o rugir dela mete medo ao parceiro. Quando perdem a paciência, ou se cansam, cuidado. A Mulher portuguesa zangada não é o «Agarrem-me senão eu mato-o» dos homens: agarra mesmo, e mata mesmo. Se a Padeira de Aljubarrota fosse padeiro, é provável que se pusesse antes a envenenar os pães e ir servi-los aos castelhanos, em vez de sair porta fora com a pá na mão.
Miguel Esteves Cardoso, in ' A Causa das Coisas '
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