sábado, 26 de novembro de 2011

Para pensar...


"O sorriso é a manifestação dos lábios, quando os olhos encontram o que o coração procura.
          Patrícia Oliveira 

 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Maldição

Viste-me quando mais ninguém olhou para mim. Olhaste de relance quando passaste por mim em frente ao palácio para onde te dirigias. Transmitias a confiança da realeza, aquele porte altivo e de sangue azul, mas olhaste para baixo, olhaste para onde estavam os pobres, os desgraçados que vivem um dia de cada vez tentando juntar os fragmentos daquilo que foram. Olhaste para o sítio onde me encontrava, com a minha irmã nos braços, e os teus olhos negros apoderaram-se dos meus. Tivemos, depois disso, dias felizes, dias em que ficámos a conhecer-nos e o que era atracção passou, gradualmente, a uma paixão abrasadora, a um amor inigualável. Não o fizeste de propósito, mas a partir desse dia fatídico, infeliz de tantas maneiras, marcaste o caminho que percorro. Condenaste a minha alma, o meu coração a deambular sozinho pelo mundo, dolorosamente só. Ao olhar para mim passaste-me parte da maldição que carregavas sobre os ombros. Acabaste por trazer a desgraça do meu ser e tudo porque, no tempo de uma batida do meu coração, o enfeitiçaste e ficaste deslumbrado. Não consigo entender que partida cruel pregou o destino ao juntar-nos na mesma rua empedrada, no mesmo dia chuvoso. A partir desse momento de magia poderosa, magia essa que aprendi a respeitar e que ainda hoje receio, ficámos ligados para a eternidade sem, no entanto, podermos estar realmente juntos. Tornávamo-nos imateriais quando estávamos perto, fantasmas incorpóreos que tentavam alcançar algo vezes sem conta nunca o conseguindo. É tão doloroso e solitário este fardo que partilhamos sem nunca partilhar realmente.
Não sabes como odeio amar-te, como odeio não poder estar contigo, ver-te mas nunca te poder tocar. São tantos os sentimentos que emergem de mim quando recordo aquele dia. Sinto ainda o bater desenfreado do coração que os teus olhos provocaram, sinto a atracção inexplicável que me atingiu qual rajada de vento de tempestade. Ao mesmo tempo sinto-me a desaparecer, a deixar-me cair aos poucos no vazio da solidão, da dor, do desespero. Já nem a minha irmã consegue consolar o rio que escorre do meu peito. É tão difícil acreditar ainda na tua palavra, porque tu prometeste que arranjarias maneira de quebrar a sombra que paira sobre nós, mas a esperança que no início tranquilizava o meu espírito desvanece um pouco mais a cada dia. Vai-se varrendo com o doloroso passar dos anos. Porque tu sabes que já vivemos mais do que o que devíamos, esta maldição que sobre nós recaiu permite-nos uma vida excruciantemente longa, uma vida, como antes referi, que apenas torna mais insuportável o que de si é já inconcebível. Quem sabe a morte não será a solução. A derradeira prova àquilo que o amor pode suportar. Imagino que quando isso acontecer, entraremos de mãos dadas, finalmente juntos, no paraíso, num lugar que será para sempre só nosso, onde poderemos por fim viver o que nos foi negado, viver finalmente! O fim será para nós o início, ou melhor, a continuação de algo que ficou em suspensão no tempo.

Bjs
Maff G.
(o texto acima apresentado é da minha autoria)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Levado pelo Mar - 1º Volume da saga Baía de Chesapeak

Levado pelo Mar conta a história de três irmãos, Cameron, Ethan e Philip, antigos jovens delinquentes adoptados por Raymond e Stella Quinn. Os irmãos são tão diferentes uns dos outros quanto é possível, mas têm em comum um imenso amor pelo casal que os adoptou e criou. Agora, adultos e por conta própria, têm de voltar à casa da família para honrar o último pedido do pai...
Campeão de corridas de barcos, Cameron Quinn viajou pelo mundo esbanjando as suas vitórias em champanhe e mulheres. Mas quando na hora da morte o pai o chama para cuidar de Seth, um jovem problemático como ele já fora um dia, a sua vida dá uma reviravolta. Depois de anos de independência, Cameron tem de reaprender a viver com os irmãos, enquanto luta para cozinhar, limpar e cuidar de um rapaz complicado.
Antigas rivalidades e novos ressentimentos despertam entre os irmãos, mas tudo terão de fazer para que Seth não saia prejudicado. Pois no final, será uma assistente social que decidirá o destino de Seth e, tão dura quanto bonita, ela tem o poder de unir os Quinn... ou de os separar para sempre.


    Nora Roberts apresenta-nos a inesquecível saga da Baía de Chesapeak e, na minha opinião, não o podia fazer com melhor livro. Temos, presente neste livro como ponto de destaque, e em toda a série, tal como a autora nos habituou, a família, os valores familiares que esta autora tanto preza. Sobre que é este romance? Poder-se-ia dizer que, assim como outros livros de Nora Roberts, existe também neste volume uma hitória de amor como ponto central (e realmente assim o é), no entanto penso que este livro vai mais longe um bocadinho, dando especial ênfase às relações familiares, sempre caracterizadas pelo amor, que nos dá a conhecer.
    Começamos a entrar na história conhecendo Cameron Quinn, o mais velho dos irmãos Quinn. Cam é um homem mulherengo, impetuoso e muito impulsivo que ganha a vida fazendo corridas de carros, veleiros, tudo o que tenha grande velocidade. É nesse meio luxuoso que estabelecemos um primeiro contacto com esta personagem; é, porém, num meio mais calmo que ficamos a conhecer a sua verdadeira essência e observamos o seu desenvolvimento. A vida de Cam dá uma volta de 360º (acreditem que fica completamente virada do avesso), quando recebe a notícia de que o seu pai está no hospital e quer encontrar-se com Cam e os seus dois irmãos, Ethan e Phillip. Aqui sim começa a parte interessante do romance. O seu pai, que ficou conhecido por adoptar crianças problemáticas tinha feito, por assim dixer, uma nova aquisição, um rapazinho de dez anos chamado Seth. No seu leito de morte o pai entrega aos cuidados dos filhos o pequeno rapaz, que estes vão assumir como irmão mais novo.
    Isto é para mim o ponto mais interessante desta narrativa, o amor que estes três homens adultos acabam por sentir por um rapaz perdido, tal como em tempos também eles o foram. Imaginem três homens adultos, bem parecidos, irmãos de coração mas que não podiam ser mais distintos em todos os sentidos, homens que já não viviam juntos há muitos anos, mudarem completamente as suas vidas para criar um rapaz que nada lhes devia dizer. Não morando juntos há tanto tempo e com personalidades divergentes e chocantes, estes três irmãos voltam a morar todos juntos na casa da familia para poderem proporcionar a Seth uma vida boa.
    Falando agora particularmente de Cam, podem imaginar a situação em que ele se viu metido. Alguém que era campeão de corridas internacionais passa, de um momento para o outro, a ama-seca de um rapazinho que em nada ajuda o seu relacionamento e, para melhorar a coisa, aparece uma assistente social (que vai interferir, de mais do que uma maneira, na vida destes quatro homens, especialmente na de Cam e Seth) que vai decidir o destino de Seth, tendo de tomar a decisão de deixar ou não a custódia do rapaz à guarda do irmãos.
    Não posso dizer muito mais sem me entusiasmar e começar a desbobiar tudo, posso apenas acrescentar que AMEI o livro, que me fez derreter toda por dentro quer pelos momentos românticos como pelos momentos fraternais que nos apresenta. Sem sombra de dúvida uma das melhores séries desta autora! Aconselho sem restrições a toda a gente que precisar de umas boas gargalhadas(acreditem que irmãos como aqueles quatro dão muito que fazer), de sentir a sensação do coração a derreter com momentos de pura doçura e romantismo. Deixem-se encantar pela paisagem costeira e abram as portas do vosso coração para acolher uma família muito especial...

Votos de boas leituras

Maff G.